Pages Menu
TwitterFacebook
Categories Menu

Posted by on Oct 15, 2015 | 0 comments

IBC, defendendo o Cerrado

IBC, defendendo o Cerrado

Em um encontro chamado Nova Terra, no Rio de Janeiro, tivemos notícia de um vilarejo com um movimento alternativo forte perto de Brasília. Foi aí onde foi criado o IBC – Instituto Biorregional do Cerrado, e um de seus principais projetos é a criação de uma eco aldeia na Chapada dos Veadeiros. O Cerrado é o segundo maior bioma do país, reconhecido por ser o tipo de savana com maior biodiversidade do planeta, com abundância de espécies endêmicas, tanto de plantas como de animais, muitas das quais estão em risco de extinção devido à rápida perda de seus hábitats, causado em grande parte pelo avanço feroz da exploração agrícola, principalmente plantações de soja. Nascentes de importantes rios e reservatórios hídricos desta região – conhecida como a caixa d’água do Brasil – também estão em risco.

Além dos aspectos ambientais, o Cerrado tem uma grande importância social. Muitos grupos sociais dependem de seus recursos naturais; diversas etnias indígenas, quilombolas, geraizeiros e ribeirinhos, entre outros, formam parte do patrimônio histórico e cultural brasileiro, e são grandes conhecedores da biodiversidade local. São mais de 220 espécies medicinais, 416 que apresentam diversos usos práticos, como a recuperação dos solos, construção… e mais de 10 tipos de frutos comestíveis que são consumidos regularmente pela população local e vendidos em centros urbanos,  como o Pequi (Caryocar brasiliense), o Buriti (Mauritia flexuosa), a Mangaba (Hancornia speciosa), a Cagaita (Eugenia dysenterica), o Bacupari (Salacia crassifolia), o Cajuzinho do cerrado (Anacardium humile),  as sementes de Barú (Dipteryx alata) e o Araticum (Annona crassifolia), sendo que este último foi o nome escolhido para a Eco Aldeia do IBC, que tem a intenção de consolidar um assentamento humano sustentável.

O IBC nasce como una alternativa para ajudar a preservação do Bioma Cerrado, já que, além das áreas de construção individual (que ocupa um quarto da área total do terreno), o projeto permacultural prevê uma área de preservação permanente, áreas de plantio e espaços comunitários com fins diversos. Segundo a visão desta comunidade, “existe um modelo de ocupação feito para uma vida em harmonia com o Cerrado, que minimiza impactos, aumentando a autonomia alimentar e energética de cada núcleo familiar   promovendo um estilo de vida mais integrado com a natureza, utilizando conceitos de economia solidária e da permacultura. ”

Criado em 2012 com o objetivo de ser um centro de aprendizagem constante para iniciativas de preservação e recuperação da Biorregião do Cerrado, são um grupo de formação diversificada voltado à uma Cultura da Sustentabilidade. Desejam viabilizar a criação e incubação de saberes, sonhos e boas práticas para um mundo melhor, mais justo, viável, harmônico, alegre e sustentável. Realizam cursos, oficinas, vivências, mutirões, em um planejamento contínuo para a construção de um centro eco pedagógico na Chapada dos Veadeiros, fortalecendo o modelo de convivência baseado nas decisões circulares, economia biorregional, permacultura, eco pedagogia e tecnologias sociais de baixo custo.

Considerando que 20% das espécies endêmicas do Cerrado já não estão presentes nas áreas de proteção, e que pelo menos 137 espécies de animais estão em risco de extinção, o IBC e seus projetos nascem com o potencial de fortalecer o movimento para a proteção desta região.

Nossa estadia neste bonito lugar, não só foi enriquecedora como também produtiva, com muita aprendizagem prática fortalecida pelo formato comunitário, cooperativo e solidário. Nós fomos os primeiros habitantes desta terra, vimos que é possível transformar qualquer lugar com amor e trabalho conjunto, com intercambio de conhecimentos e experiências, muita vontade, criatividade e alegria. Vimos que para tudo existe uma solução possível, consciente, responsável… enfim: Alternativas sustentáveis!

Em 9 meses, presenciamos como una casa mal construída e inacabada, que era a única coisa que existia em uma terra maltratada por anos de exploração agrícola se transformava no broto de um lar comunitário, graças à presença dos voluntários, que com técnicas da permacultura embelezavam o lugar, cobrindo as paredes com barro vermelho e os arredores com o verde das plantas. O solo havia recebido carinho, cuidado, e muita matéria orgânica recolhida na cidade, que depois de transformada em adubo, alimentava a terra, que de seca passou a ser viva e produtiva. Ergueram Yurts de bambu, sanitários ecológicos, cisternas para captar a água da chuva, cultivo orgânico de alimentos… mesmo depois que partimos continuamos acompanhando a evolução deste lindo projeto, germinando aos poucos com cada vez mais pessoas envolvidas. O chamado “Pé na Terra”, encontro de co-criação e captação de recursos para o projeto, celebrado neste lugar, recebeu gente de todo Brasil.

Atualmente a Aldeia Aratikum, como tem feito desde o começo, recebe voluntários e realiza vivências permaculturais com a comunidade e qualquer um que se interesse por suas propostas e se identifique com sua filosofia. A transformação social é inquestionável tanto a nível local como global, já que são trabalhados conceitos transformadores por si mesmos num lugar com uma beleza natural espetacular, como nos lembra seu próprio nome: Alto Paraíso de Goiás.

Este é um dos muitos exemplos que demonstram que com vontade e determinação podemos criar nosso hábitat em conformidade com nossas convicções e as maneiras de se relacionar com a mãe Terra. A mudança e a força estão em nós, só é preciso acreditar e continuar aplicando e replicando projetos como este em todos os ugares onde hajam pessoas dispostas a lutar pela causa. É fundamental que perguntemos a nós mesmos o que podemos fazer, por pouco que seja, mas que cria uma mudança em nosso micromundo.

Escrito por Joel Jansa

Traduzido por Lorenzini Flor e Barbara Villa

Saiba mais sobre esa iniciativa em:

http://www.biorregional.eco.br/

Post a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *