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Posted by on Sep 5, 2016 |

Community Forest International: árvores mudam a comunidade

Community Forest International: árvores mudam a comunidade

No estado de New Brunswik na parte atlântica do Canadá, chegamos à cidade de Sackville, lugar no qual alguns meses atrás, participamos da “Conferência para a Mudança”. Nessa pequena cidade uiversitária, há uma produtiva atividade alternativa que é sede de vários projetos. Um dos que visitamos e nos deixou uma agradável impressão foi o Community Forest Intrnational (CFI)

Os escritórios estão localizados num velho edifício amarelo, no qual costumava ser a casa dos donos da fazenda. Cercado de bosques, com um lago na frente e vários jardins muito bem cuidados, dão ao lugar um ar fresco e muito agradável. Zack nos recebeu com um sorriso caloroso e nos fez passar à sala de trabalho, um grande espaço com tetos altos, grandes janelas que davam uma boa iluminação natural ao lugar, sendo um magnífico espaço de trabalho. Cumprimentamos a equipa composta por 6 pessoas, em seguida saímos ao jardim e nos sentamos na grama prontos para começar a entrevista.

Eles eram um grupo de amigos que se dedicavam a plantar árvores, trabalhando para grandes empresas em áreas devastadas com a intenção de fazer repovoamento florestal. Com os anos, começaram a perceber que o tipo de plantação que estavam realizando, e a visão de negócio das pessoas com quem trabalhavam não os satisfazia já que acreditavam que se podia fazer as coisas de outra maneira.

Em seu tempo livre aproveitavam para viajar pelo mundo e aprender diferentes maneiras de entender a agricultura. Depois de dar algumas voltas, decidiram fundar sua organização de caridade, com a finalidade de ajudar zonas desmatadas a replantar árvores. Conseguiram alguns fundos e começaram seu projeto na ilha de Pemba na Tanzânia, lugar para onde um deles havia viajado e observado a situação alarmante na qual se encontrava. Essa é uma ilha com uma alta densidade populacional , dependente totalmente da lenha para cozinhar, aquecer a água…na qual o desmatamento é preocupante, e está fazendo mais notórios os efeitos do aquecimento global uma vez que afeta na falta de água e recursos naturais.

Os do CFI foram para Pemba com a intenção de conversar com as comunidades. Em vez de chegar impondo o que iriam fazer, como costuma a acontecer em muitos casos, eles perguntaram às comunidades interessadas que espécies gostariam de plantar, quais eram suas intenções e necessidades principais, comida, lenha, sombra…Depois de avaliar com eles, começaram a trabalhar junto com a gente local, ensinando-os como fazer, criando essa relação de confiança tão importante, dando-lhes o conhecimento para fazer possível e a responsailidade de continuar. Pois a ideia é que sejam eles que realizem, sem a necessidade de que sempre haja alguém de fora monitrando o processo.

O projeto foi um êxito total, começaram com 15 comunidades e ao ver os resultados outras foram unindo-se, pois viram os resultados incorporados nos bosques que cresciam de novo nessas comunidades e viram (se deram conta da) a importância que esses tinham para o desenvolvimento e sustentabilidade da sua comunidade.. “Algumas das comunidades que queriam ávores para lenhas, quando viram a sombra que elas criavam, o ambiente fresco e úmido que geravam e os animais que começaram a aparecer que havia muitos anos que não viam, decidiram que não queriam cortá-las, pois preferiam as árvores vivas” nos contou Zack. Tal foi o impacto que causaram na região que uma comissão da União Europeia, viu o que haviam alcançado e ficaram impressionados, pois haviam feito um trabalho mais eficiente e com melhores resultados que projetos que a Comunidade Europeia havia patrocinado, então decidiram dar-lhes uma subvenção para continuar desenvolvendo o projeto em outras comunidades e realizando novas etapas. Com esse dinheiro, criaram sistemas para coletar e armazenar a água da chuva, que foi mais abundante com a presença dos bosques, pois as árvores “chamam” a chuva, com qual a população tinha água para beber e regar. Incentivaram a agricultura da zona com princípios da permacultura, resolvendo problemas de nutrição e escassez de alimentos. Agora trabalham para implementar estações fotovoltaicas para gerar um pouco de energia elétrica para iluminar as casas. Eles são um perfeito exemplo de que se se trabalha bem e acreditando no que se faz, muitas vezes o reconhecimento acaba vindo de lugares que nunca haverias imaginado.

No Canadá, estão trabalhando com a implementação de bosques comestíveis na cidade, mas sobretudo em ensinar e pensar novas maneiras para a prática da agricultura na zona, usando permacultura, agro-arborização, biodinâmica, para ter uma agricultura orgânica e local, que dê outra perspectiva à vida no campo. Paralelo a isso, têm um terreno que usam como laboratório de ideias, tanto para a agricultura, testando novas formas de plantar, combinações de plantas… ou para construir com materiais naturais, onde as pessoas podem ir, expor a ideia que elas têm e desenvolvê-la. A cada ano organizam um evento onde expõem tudo o que foi inventado esse ano e fazem um concurso, incentivando mais pessoas a irem vê-lo e que por sua vez entrem em contato com essa nova mas ao mesmo tempo velha maneira de construir.

Sua forma organizacional é a convencional, pois por ser um projeto de caridade, têm que manter uma certa estrutura, diretor de projetos, staff técnico…mas na prática, são um grupo de amigos e tomam as decisões juntos, onde todas as opiniões são escutadas e avaliadas até chegar ao consenso final. Como acontece com muitos projetos de boas intenções, eles dependem de subvenções ou dos fundos que coletam para poder continuarem deselvolvendo seus projetos: “Sempre temos tido pessoas nos apoiando, reconhecendo nosso trabalho,mas é difícil ter que estar sempre sofrendo para poder garantir a continuidade no próximo ano. No princípio, o faziamos de maneira voluntária, e às vezes tendo que pôr dinheiro do nosso bolso-, mas chegou um ponto em que era inviável trabalhar em outra coisa, para poder pagar nosso projeto.” Nos contou Zack. No lote de terra do laboratório têm uma grande horta e vendem parte da produção mas isso não é suficiente para puxar à frente os projetos. Esperam um dia ser auto-suficientes, o que sabem de certeza é que seguirão realizando novos projetos, e continuando com os que já começaram, com a esperança de poder chegar a mais lugares, crescendo e ajudando mais cantos do planeta em situações de risco. Ao mesmo tempo que mostram os benfícios que práticas mais amigáveis ao meio amiente têm e incentivam produtores locais a adotá-las.

Foi muito encorajdor ver esse grupo de jovens trabalhando, com as ideias tão claras e com uma filosofia de cooperação direta muito bem estruturada e eficaz. Como eles mesmos disseram, esse tipo de práticas pode ser imitado em outros lugares e outros projetos, estando eles dispostos a ajudar e  mostrar como fazê-lo. Tudo é pôr as mãos na massa e começar a realizar aquilo que sonhamos e achamos que pode ser benéfico para nós e para os demais.

Escrito por Joel Jansa

Veja as fotos desta iniciativa abaixo:
Community Forest International

Saiba mais sobre este projeto em:
http://forestsinternational.org/